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Chega de reproduzir a mudez vaginal



Tudo começou muito cedo 
Quando eu ainda brincava de baleado na rua 
Eu sentia vontade de fazer xixi, mas eu não podia me abaixar e fazer na rua 
Afinal, ninguém podia ver o que eu tinha no meio das pernas 
Mas, contudo, meu amigo podia encostar-se no muro e deixar o liquido escorrer pela parede
Sempre apelidaram meu órgão genital e de todas as minhas companheiras de luta 
Ora, baratinha 
Ora, pepequinha
Ora, joaninha
Ora, periquitinha 
As nomenclaturas variavam de acordo com quem falava
Mas, nunca saíam do diminutivo 
Os rapazes também costumam ter o seu membro apelidado 
Ora, amigão
Ora, Joãozão 
Ora, pepeuzão
Ora, pintão 
Alguns ousavam com a terminação "ona"
Para formar, pirocona 
Tão fácil imaginar porém difícil digerir 
Que para tratar da mulher o diminutivo deve usar 
Enquanto pro homem só o mais há de representar 
Desde sempre a vagina é velada, sufocada 
Se coça: 
"mantenha a classe, tira a mão daí, que nojo"
Se o pelo fica grande:
"raspa isso, não dá nem pra ver, o bom é lisinha"
Se quer conhecer e transar com o maior número de caras:
"não pode, segura a periquitinha, se dá o respeito"
Se quer transar com outra mulher:
"não pode, deus te criou para procriar e ser do homem"
Mas você pode e deve transar com outra mulher se isso ajudar o homem na masturbação 
Se tocar, se masturbar, siririca, cosplay de DJ:
"nem pensar.. Mulher não se toca, auto prazer é tabu"
A vagina pertence ao corpo feminino 
Mas, é o Estado e o homem que dita as regras do que deve(ria) ser feito 
Chega! 
Digam adeus a mudez e opressão vaginal 
Não possuímos lábios a toa 
Temos voz, ação e desejo 
Nosso corpo é nosso 
Só nosso 
E não de quem quiser.

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