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Precisamos falar sobre a Maria

Maria tinha um companheiro, cujo nome era José. Todos ao seu redor diziam que José era louco por ela. Fizeram Maria acreditar que as vinte ligações dele quando ela decidiu sair com as amigas era preocupação e saudade. Tentaram impregnar na sua mente que sempre que ele falava da sua roupa era porque ele tinha ciúmes e isso era uma prova de amor. Disseram para Maria que ela deveria fazer mais as vontades de José, caso contrário, ele iria procurar na rua o que não encontrava em casa. Quando discutiam, José costumava alterar a voz e ofender Maria verbalmente, mas depois, ele sempre voltava com um pedido de desculpas, alegando que a amava demais e que as brigas eram normais em um relacionamento, mas, ele estava disposto a ser um companheiro melhor.  Até que em um certo dia, as agressões verbais vieram acompanhadas de agressões físicas. Murros. Tapas. Chutes. Empurrões. Gritos. Choro. Pavor. No outro dia, óculos escuros, medo e estratégias de fuga. E mais uma vez, José voltou, dizendo que não sabia o que havia acontecido, que foi excesso de fúria e sempre a mesma desculpa: é tudo por amor. Mas, a sina de Maria começou a piorar. Tudo virou motivo de briga, de pancadaria. Violência verbal, fisica e psicológica. Algumas pessoas ainda diziam para Maria que a situação dela não era alarmante, muito menos, preocupante. Diziam que o casamento é uma instituição onde a mulher deve servir ao homem, independente das consequências. Só Maria sabia o quanto sofria. Maria decidiu denunciar José. Porém, nada foi resolvido e ele voltou para casa ainda mais agressivo. Tapas. Murros. Chutes. Estupro. Ferro quente. Toda essa situação foi matando Maria aos poucos. Tanto a alma como o corpo. Maria foi mais uma refém dos tumores que são maléficos e fatídicos para as mulheres da nossa sociedade: machismo, sexismo e patriarcalismo. Agora, eu pergunto: Quantas Marias você conhece? Quantas Marias você deixou morrer, ao reforçar que violência doméstica é algo banal? Quantas Marias você culpou, quando na verdade elas são as maiores vítimas? Quantas Marias você ainda verá morrer para que ofensivos Joses fiquem livres? Quantas Marias você deixará de salvar, só porque não quer falar sobre o feminismo para combater o feminicidio? Você já salvou alguma Maria hoje? Você está disposto a salvar uma Maria hoje? Salvemos as milhares de mulheres, aqui, metaforicamente, denominadas de Maria.

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