Amiga,
Agora, mais leve, mais clara nas emoções,
mais centrada na minha história para enfim observar a sua, sem qualquer tipo de
participação, posso te dizer claramente tudo que venho observando aos poucos,
que venho juntando e dizendo pequenas ideias aleatórias ao longo dos nossos
intensos diálogos e quando as palavras me faltam ou soam repetitivas, espero do
fundo do meu ser que você tenha percebido que o meu abraço diz repetidamente:
“você é forte, você é mais do que isso.. não se culpabilize!” Eu desejo tanto
que vocês perceba o quão se diminuir, se afundar e se esvair tanto em alma,
quanto em essência e sentimento te afetam e apagam o brilho que permeia(va) o
seu olhar. Vai lá, se olha no espelho, se analisa, tá vendo quão linda você é?
Lembra quando você me perguntou “do que adianta eu ter amor pra dar e me abrir
aos sentimentos se só sofro?”, então, tá vendo essa mulher no espelho? Ela tá
doida pra ser amada... Ela tá doida pra vestir a roupa mais confortável do
mundo, que te faça sentir-se linda seja pra apenas sentar e ler seu livro
preferido ou para sair por ai. Sei que machuca, sei que dói, sei que
enfraquece se entregar a uma relação e sair completamente desfigurada
emocionalmente e sentimentalmente, mas, volte a observar essa mulher no
espelho, sabe o que ela aprendeu? Ela aprendeu a amar. Amar sem precisar exigir
do outro ser amada. E só amamos mesmo quando deixamos de exigir algo em troca.
Essa mulher no espelho, aprender o que é estar entregue, o que é intensidade...
Todos os seus beijos foram intensos, as risadas e os orgasmos também, se a
pessoa que conviveu contigo não estava entregue, na verdade, quem perdeu foi
ela. Uma vida sem relações intensas é uma vida não vivida. Você viveu. Viveu
uma relação, viveu a morte dessa relação e agora vive seu renascimento, assim,
tenha orgulho dessa mulher que você vê no espelho. Usa desse fim para o começo,
o começo de novas relações, sua com lugares, com livros, com músicas, com
peças, com programas, com comidas, com restaurantes, com pessoas e
principalmente com você. Ao sair machucada de uma relação, em que nós nos vemos
como principal culpada pelo fim, levamos um tempo até perceber o quanto nossa
companhia é fundamental, o silencio da nossa moradia enriquece nossa alma. Sabe
o som da sua risada? Faz tempo que você não a escuta, né? Volte a ouvir e
lamente muito por quem nunca mais a escutará... Quem perdeu? A pessoa. Você?
Renasceu.
Com amor,
A.
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