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Relatos de quem viveu um Relacionamento Abusivo




Carinho, aqui. Abraço, acolá. Mensagem de “bom dia, meu amor... Dormiu bem?” Passeios. Beijos. Mão aqui, acolá. Sexo. Suor. Gozo. Muito gozo. Abraço por trás e: “nunca foi assim com ninguém, você é a mulher da minha vida”. Planos pro futuro. Muitos. Até um: “nunca havia feito planos com nenhuma, nem queria filhos, mas com você é diferente”. Escolhemos até os nomes. Se for menino, você escolhe. Se for menina, eu escolho. Altas declarações de amor. Ligações só para dizer: “estava pensando em você linda, tô com saudades já”. Ligações todas as noites. Horas e horas no telefone, porque você queria todos os detalhes de como foi meu dia. Todos os finais de semana você tinha planos pra nós. Aos poucos, sem nem me tocar, fui saindo menos com meus amigos e ficando mais com você. Até que um amigo percebeu. Eu conversei com você e: “claro amor, saía com seus amigos, agora eu vou sair com minhas amigas, viu?”. O seu tom irônico nessa hora despertou algo que eu nunca havia sentido. Ciúmes. Mas, mesmo assim, eu saí. Saí com meus amigos. Você com suas amigas. Menos de alguns minutos, você posta uma foto. Abraçado. Abraçadíssimo. “É só amiga”, eu penso. Mas aí, você me diz que vai só ao barzinho e que quando chegar vai me ligar. No fim das contas, você some e no outro dia eu vejo fotos das esticadinhas que vocês deram. Eu te ligo. Nós nos desentendemos. Você diz: “quem propôs isso de saída de amigos foi você”. Eu choro. Sinto-me culpada. Peço-te desculpas, quase imploro. Você: “tudo bem, eu te amo, mas você precisa parar com esse ciúme descontrolado”. Fazemos as pazes. Decido te chamar pra dormir na minha casa. Você vai. Conversa vai, beijo vem, desejo surge, você diz: “já que você é o amor da minha vida, pra quê camisinha? Seremos só nós dois pra sempre, não precisamos mais disso.” Eu êxito. Mas, você diz que eu tô confusa, que isso é sinal que eu não te amo. Eu me preocupo. Você ameaça me largar. Eu volto atrás. Transamos sem camisinha. Não foi uma, nem duas, mas sim, várias vezes. No outro mês, nada de menstruação. Decidi conversar contigo. Você: “por que não tomou remédio? Sabe que não quero filho agora, isso vai atrasar toda minha vida. Você precisa se cuidar”. E eu me senti só. Senti que fiz tudo sozinha. Mas, finalmente, minha menstruação desceu. Fui te contar. Você só disse: “Ufffa!! Mas, é melhor voltarmos a usar camisinha, já que você não sabe se prevenir”. Senti-me uma burra. Que idiota, não? E mais uma vez, eu estava me sentindo pra baixo. A gente passou a brigar muito. Você quase não me perguntava mais como foi meu dia. Você quase não falava comigo. Eu sempre que ia até você. Comecei a cobrar sua falta de atenção e você retrucou: “Você está me sufocando, assim eu não suporto mais. Tudo que eu faço tá ruim. Sabe quantas mulheres dariam tudo pra estar no seu lugar e você fica nessa? Tá ficando paranoica.” Eu chorei. Muito. Você ainda disse que eu estava sendo muito infantil, que assim não dava mais, que sua vida estava corrida demais e eu ainda estava piorando tudo. Eu me desculpei. Eu disse que não queria atrapalhar sua vida. Eu disse que te amava. Eu te pedi para tentarmos. Você disse que já não dava mais. Você falou: “Nossa, pra mim chega! Você não muda, você não faz com que dê certo e eu já te dei chances demais. Acabou.” Você me culpou pelo fim do nosso namoro. Você me deu um atestado de louca. Você contou aos seus amigos que não estava me suportando mais. Você mudou comigo. Você disse que eu que tornei as coisas difíceis. Eu. Eu. Eu. Passei longos períodos me culpando. Passei longos períodos acreditando que eu era louca. Passei longos períodos me culpando pela minha paranoia. Passei longos períodos acreditando em tudo que você disse. Passei longos períodos cega, até que percebi o quanto você abusou do meu psicológico e do meu emocional. Passei longos períodos até conseguir dizer: eu já estive em um relacionamento abusivo. Passei longos períodos até perceber que eu deveria renascer. Passei longos e difíceis períodos, mas, renasci. 

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