Disseram que era infantil da
nossa parte. Disseram que nós queríamos chamar a atenção com nossos dramas
pessoais. Disseram que militância na Internet não é válido. Disseram que nós
estamos sendo chatas com tanta necessidade de luta. Disseram que nosso problema
é a falta de rola. Disseram que as nossas calcinhas e nossas louças vivem
sujas, pois vivemos lutando por nosso espaço e por nossa voz. Disseram que nós
estamos querendo colocar o mundo a perder. Disseram que nossa iniciativa e
permanência no movimento feminista são na verdade dramatização da nossa parte e
que isso já está ultrapassando os limites. Disseram que nós não protestamos,
mas sim expomos nosso corpo para atrair atenção masculina. Disseram que as
nossas companheiras que se sentem afetadas por outras mulheres, na verdade, é
só porque um homem não “comeu” elas direito. Disseram que se quiséssemos
realmente sanar os crimes de estupro, não usaríamos roupas curtas, mas
esqueceram de explicar, os estupros que sofrem as mulheres que usam burcas.
Disseram que somos classificadas em para casar X para transar. Disseram que
fomos criadas para ter filhos, sem nem querer saber a nossa opinião a respeito.
Disseram que deveríamos ficar mais felizes no dia do nosso casamento, do que no
dia de qualquer outra conquista, como se casamento fosse o sonho de consumo de
todas nós. Disseram que os abusos que sofremos ao longo da nossa vida são
coisas da nossa cabeça. Disseram que não adianta nada relatar esses abusos
agora, ninguém quer acompanhar nossa luta. Disseram que não somos unidas e
queremos uma brigar com a outra, mas esqueceram de perceber que essa disputa é
socialmente imposta e que estamos quebrando e indo de confronto a esse sistema
também. Disseram que nós não podemos ser alguém porque não temos poder para
isso, só que esqueceram de perceber que nós somos poder. Eu posso. Tu podes.
Ela pode. Nós podemos. Vós podeis. Elas podem. Disseram que nossa luta teria o
silencia precoce. Disseram que nós não alcançaríamos nosso objetivo. Disseram
que o protagonismo não é nosso, tanto que insistem em se colocar em questões e
campanhas levantas por nós para defender companheiras de luta. Disseram que nós
estamos querendo dividir as atenções e sair como privilegiadas, mas esqueceram
que sempre foram privilegiados e nós inferiorizadas. Disseram que já temos
direitos iguais ao dos homens, mas esqueceram que o exemplo mais comum que é a
questão salarial ainda saímos em desvantagem. Disseram que nós não
conseguiríamos, mas cá estamos nós lutando. Disseram que nossas campanhas,
como, por exemplo, #meuprimeiroassedio e #meuamigosecreto não tem fundamento e
credibilidade. Disseram tantas asneiras, mas esqueceram que juntas somos mais.
Que juntas somos. Somos o poder!
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